Como podem imaginar o último mês foi um turbilhão de emoções. Mas cá estou eu na Turquia à uma semana e meia.... A mim parece-me um ano....
A coragem que tive para pegar nas minhas coisas e abalar para este país é minúscula comparando com a capacidade de integração que tenho de ter agora.
Nos primeiros dias eu tinha planeado já uma excursão às escolas para ver onde ia começar a minha jornada como professora de inglês. Bem, nada disso aconteceu, porque comecei a ter crises de ansiedade. Na minha cabeça só ouvia falar Turco e mais turco, a minha linda cabeça estava a explodir. Aprendi que as coisas nem sempre podem acontecer tão rápido quanto às vezes eu quero. Desta forma percebi que primeiro tinha que descansar, dormir e conhecer os cantos à cidade. Claro que não contava também com a alteração climática e nos primeiros dias cairam um flocos de neve, fiquei super hiper mega rifix contente. Mas no dia seguinte estava de cama com gripe.... E tive que adiar mais uns dias os meus planos.
Ontem fui falar a uma escola. Gostaram do meu inglês. Disseram-me para ir dar uma aula à experiência. Hoje fui lá e querem que eu fique lá a dar aulas e pelo que percebi a trabalhar a tempo inteiro. Ou seja, das 9 da manhã às 9 da noite. O salário é uma bosta, mas eu adorei dar aquela aula e os alunos (não quero parecer convencida) fartaram-se de pedir para eu voltar, para irmos sair no fim de semana......
Bem, mas hoje o director da escola ficou de falar comigo sobre as condições de trabalho. Esperei duas horas. Quando ele chegou começou a gaguejar muito mas mesmo muito mal o inglês. Sempre que queria dizer uma frase, ligava para a professora de inglês. A contar-me (ou pelo menos a tentar) a história da vida dele. Eu comecei a ouvi-lo ao longe, senti um enjoo enorme, calor, frio.....Pois....Uma crise de ansiedade. E lá lhe disse que não me estava a sentir bem. Ele disse que me ligava amanhã.
Liguei para a associação de planeadores do território aqui da cidade e eles ficaram muito contente por uma estrangeira licenciada em urbanismo estar aqui na Turquia a querer trabalhar. E disseram-me para ir lá, que me querem ajudar. E deram-me algumas esperanças....
Enquanto o director falava comigo as palavras dessa senhora não me saiam da cabeça. Ok, pensava eu, vou ser explorada nesta escola, pois não sou professora de inglês.... E se calhar é melhor começar pelo lado mais seguro....o ordenamento do território.
Bem isto tudo para dizer que a força para conseguir vencer a barreira da linguagem, de cultura, a falta dos amigos, da família, dos meus cheiros. Vai ter de ser muito maior do que a força que tive para me meter num avião e aterrar na Turquia......
TENHO SAUDADES VOSSASSSSSSSSSSSS & adoro ser PORTUGUESA ....
Joana